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Instituto fecha 2023 com cinco bibliotecas comunitárias em geladeiras

Cultura 24 de novembro de 2023

O Instituto Portobello Hotéis encerra o ano com cinco bibliotecas comunitárias instaladas em geladeiras. Batizada de “Portoteca”, o projeto transforma geladeiras velhas em uma biblioteca gratuita, com livros para empréstimo de maneira facilitada, sem burocracia.

O diretor Cícero Sena explica que o Instituto Portobello desenvolve atividades relacionadas à cultura e educação em Porto Seguro. E convida a população a se engajar nesse nobre projeto, doando geladeiras e livros.

“Queremos possibilitar às comunidades maior acesso aos livros. Mas precisamos da participação e apoio da sociedade. Quanto mais geladeiras e livros arrecadarmos, mais ‘Portotecas’ poderemos criar, para que possam atender o máximo de pessoas”.

As geladeiras são pintadas e colocadas em locais que possibilitem o acesso aos livros por comunidades que não têm essa facilidade. E estão disponíveis de acordo com os horários que os estabelecimentos estão abertos.

Os leitores podem levar para casa os exemplares de sua preferência sem custo, devolvendo-os ao final da leitura. Além de gerenciar o projeto, o Instituto Portobello também investe no complemento do acervo literário.

Os interessados em doar livros, carcaças de geladeiras ou freezers verticais podem entrar em contato pelo WhatsApp (73) 98146-2198. A organização do Instituto Portobello se encarrega de buscar a doação. Confira os endereços onde as Portotecas já estão funcionando.

- Comporto Temperos (rua da Paz, 13 - Baianão)

- Escola Municipal Maria Lúcia Westphal Santana (BR 367, Km 34 - Agrovila)

- Loja Estação da Moda (rua 01 - Paraguai)

- Point Açaí Cambuí (av. dos Navegantes, 222 - Centro)

- Supermercado Vadão (rua Porto Alegre, 251, Campinho - Santa Cruz Cabrália)


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Oito mulheres e uma exposição inédita na Galeria Hugo França em Trancoso

Cultura 20 de outubro de 2023

A Galeria Hugo França recebe uma mostra coletiva inédita de oito artistas mulheres de Trancoso. A exposição “Viver é um Rasgar-se e Remendar-se” foi idealizada, produzida e é composta exclusivamente por mulheres. E lança luz à força das artistas locais, nativas ou que escolheram o distrito para viver, que têm a ressignificação constante de suas trajetórias como ponto em comum.

Com curadoria de Isa Castro e produção de Luana Jardim, a exposição traz dezenas de telas com diferentes abordagens, texturas e linguagens. São criações de Ana Laranjeira, Camile Soares, Claudia Lemos, Leda Lima, Marta Meyer, Patricia Gudmundsson, Paula Blache e Selma Guedes (em memória). Entre pinceladas ou aplicação de argila, plantas e outras matérias primas, cada obra reflete a intensidade poética dessas mulheres.

Além das artes plásticas, haverá a apresentação de três livros não lançados por Selma Guedes, como uma homenagem póstuma. O nome da exposição é inspirado na frase de Guimarães Rosa e convida o público para uma reflexão sobre a vida, sobre as trajetórias individuais e sobre como as marcas fazem parte do que somos e do que vamos nos tornar. A mostra vai até 20/11.

Biografias

Ana Laranjeiras

Escolheu Trancoso como seu lar há quase 40 anos. Trabalha com tecidos desde 1995 e, como sócia do Atelier Bela Estampa, coloriu muitas casas, pousadas e hotéis no vilarejo e pelo mundo afora. Hoje, expressa sua arte têxtil através de montagens com tecidos em linho e algodão tingidos com técnicas ancestrais ou modernas, associados aos bordados, que fazem parte das suas memórias afetivas.

Camile Soares

Artista visual, paraense, nascida em Belém. Viveu sua infância no Pará, visitando anualmente o Rio de Janeiro até a cidade virar seu lar. Estudou design e se apaixonou por criar. Com 10 anos de experiência em estamparia, criou para marcas de vestuário, calçados e decoração. Hoje vive e se divide entre Rio de Janeiro e Trancoso.

Claudia Lemos

Iniciou seu processo artístico criando acessórios de papel que, mais tarde, transformaram-se em pequenas esculturas de arame. Em 1996, foi artista contemplada pelo Itaú Cultural com mostras individual e coletiva em Belo Horizonte, Goiânia e Campinas. Logo depois, participou do 3º Salão MAM Bahia. Continuou seu processo de transformação experimentando novos materiais e formas de se expressar, desenvolvendo estudos e protótipos de esculturas que nunca foram mostradas. Em 2000 começou a costurar, trabalhando dessa forma outras questões relacionadas à linha. Midou-se para Trancoso em 2016.

Leda Lima

Nasceu em Trancoso, em 1961. Desde criança, desenhou e rabiscou, mas começou a dar importância a esse lado criativo aos 23 anos, quando mudou-se para a Europa para aprofundar seus conhecimentos na arte. Participou de diversas coletivas e, em 1999, retornou ao Brasil, para duas exposições. Leda é uma artista plástica versátil, além de quadros também pinta cerâmicas, tecidos e faz flores de papel. Hoje, tem seu próprio ateliê em Trancoso, no Quadrado.

Marta Meyer

Entende que tramas, fios, e agulhas são seus instrumentos de expressão e ofício. Atualmente, dedica-se a trabalhos únicos, onde mescla várias técnicas como tecelagem, bordado, costura, entre outros. Em 2011, junto com Juan Ojea e Renato Imbroisi, criou a "TENET", associação virtual de tecelões e artistas têxteis, que promove eventos e exposições coletivas.

Patrícia Gudmundsson

Formada no Instituto Nacional de Artes, Buenos Aires, já fez várias exposições na Argentina. “Dentro da labiríntica incerteza, acho o horizonte e o caminho que me levam em direção à imensidão da água e à inspiradora luz”.

Paula Blache

Artista brasileira, já viveu em muitos lugares, como Rio de Janeiro, Nova Yorque, Paris e, atualmente, em Trancoso. Cursou fotografia na International Center of Photography, se formou em Belas Artes na School of Visual Arts, ambas em NY. O trabalho de Paula nasceu de uma conexão com a natureza. Ela cria suas obras com materiais orgânicos.

Selma Guedes (em memória)

Era um anjo e sabia. Artista nata, autodidata, tinha plena consciência de seu dom.  Nascida em Trancoso, iniciou seu lado artístico pintando almofadas e, com o tempo, evoluiu para quadros. Porém seu sonho de verdade era escrever. E o realizou. Teve tempo apenas de lançar um dos quatro livros que escreveu. Os inéditos estão presentes nessa exposição.

Galeria Hugo França

A Galeria Hugo França ocupa um espaço de 30 mil m² em meio à Mata Atlântica. Sua ampla arquitetura propõe um convívio harmônico entre obra, espectador e paisagem. A galeria foi projetada com um pé direito de 10 m e área de 300 m², podendo abrigar obras de grandes dimensões, e, em seu entorno, gramados com áreas expositivas generosas.

Junto, funciona o Atelier Hugo França. É possível agendar uma visita guiada pelos galpões que abrigam a produção, o parque onde ficam o Resíduo Florestal, e o espaço com as obras acabadas. O Atelier tem como princípio transformar troncos, raízes e partes de árvores que geralmente são rejeitados. Essa matéria-prima é estocada para posteriormente ser escolhida por Hugo França, em função de sua textura e forma orgânica, para projetos variados.

A Galeria funciona de segunda a sexta, das 10h às 17h. Sábado, domingo e feriado somente com horário marcado. Fica na rodovia BA 001 s/nº, próximo ao trevo Trancoso/Caraíva. Mais informações pelo WhatsApp (73) 98107-2262.


Com informações e foto de Taís Santos

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Salão de Artes de Porto Seguro 2023 conhece obras vencedoras

Cultura 21 de setembro de 2023

Um imenso sarau cultural tomou conta da Cidade Histórica durante a divulgação dos vencedores do Salão de Artes de Porto Seguro 2023. A cerimônia de premiação teve muita dança, música e apresentações visuais, na noite de sábado, 16/09. Participaram autoridades, agentes culturais e um público muito animado.

Foram premiados artistas e obras em quatro categorias. Na modalidade Pintura, o primeiro lugar foi para José Chaves da Silva, com “Nature Child”. Em Escultura, venceu Mônica Macedo Soares Abelha, com “Baiana”. A melhor Fotografia foi “Flor Indígena”, de Leonardo Barreto. E na modalidade Vídeo Arte, Alethea de Souza Costa, do Coletivo Saruê Cultural, faturou com “Resistência a 500 anos do Brasil”. Confira abaixo os três primeiros colocados em cada categoria.

Participaram da mostra 29 artistas locais que expuseram 47 obras. Organizado pela secretaria de Educação, Cultura e Patrimônio Histórico, o Salão homenageou também dois importantes pintores: Mário Cravo Júnior, pioneiro das artes plásticas na Bahia; e Bené Olivier, um paulista que encontrou inspiração por longos anos em Porto Seguro.

“O objetivo do Salão é estimular a criação e difusão das artes no município, além de apresentar ao público a diversidade da produção artística local”, disse o Herculano Assis, superintendente de Cultura e Patrimônio Histórico.

O prefeito Jânio Natal reiterou seu “compromisso com a promoção da cultura”, enfatizando “o valor da arte como elemento essencial da identidade de nossa gente”. A efeméride marcou a reabertura da Casa de Câmara e Cadeia, na Cidade Histórica, após a conclusão das obras de requalificação.

Hiper realismo

Vencedor na modalidade Pintura, o artista plástico e grafiteiro paulista Chaves conta que chegou na Terra Mater do Brasil em 2008. “No início, desenvolvi um trabalho em camisetas com aerografia. Depois, fui estudar engenharia, mas tive que parar durante a pandemia pois fiquei sem renda. E o que era para ser uma maldição, se tornou uma benção, porque comecei a desenvolver a pintura em tela e escultura de cimento”, relembra.

Foi durante a pandemia também que conheceu a esposa, descendente pataxó. O que trouxe “mais inspiração ainda. E consegui atingir resultados no qual nunca tinha imaginado, como o realismo e o hiper realismo na arte”. Chaves mora na zona rural, em um local calmo e tranquilo de Trancoso.

“Hoje minha luta é pelo reconhecimento e comercialização das minhas obras. Moro num lugar afastado e muitas vezes tenho dificuldade de trazer para a cidade os meus trabalhos. Ganhar esse troféu teve um significado muito importante para o meu crescimento como artista plástico da região”, comemora.

Todos os vencedores

Modalidade Pintura

1º lugar - José Chaves da Silva - Obra: “Nature Child”

2º lugar - Thiago Almeida Castro - Obra: “Igreja do Quadrado de Trancoso”

3º lugar - Otto Martins Coutinho - Obra: “Homem Peixe”

Modalidade Escultura

1º lugar - Mônica Macedo Soares Abelha - Obra: “Baiana”

2º lugar - Gabriel Guyrá Negrão Morales - Obra: “Escada Brasil”

3º lugar - Thais Alvarenga Hofman Laviola - Obra: “Quiromante”

Modalidade Fotografia

1º lugar - Leonardo Barreto - Obra: “Flor Indígena”

2º lugar- Paulo Afonso Sanches da Silva - Obra: “Descobrimento de Si”

3º lugar - Raiz Tanaka Almeida - Obra: “Benção”

Modalidade Vídeo Arte

1º lugar - Alethea de Souza Costa (Coletivo Saruê Cultural) - "Resistência a 500 anos do Brasil”

2º lugar - Jeuaneson Mota Pompeu Guajajara - Obra: “Ywytu/Vento”

3º lugar - Letícia Soares Abelha - Obra: “Guardiã dos Caminhos das Águas”


Fotos: Salão Ascom PMPS - Chaves: arquivo pessoal

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Cultura recebe R$ 150 milhões via editais da Lei Paulo Gustavo Bahia

Cultura 26 de setembro de 2023

O Governo do Estado lançou oficialmente os editais da Lei Paulo Gustavo Bahia (PGBA). Vão ser destinados R$ 150 milhões para cerca de dois mil projetos culturais nos 27 territórios de identidade. Serão contemplados diversos segmentos, como artes visuais, audiovisual, circo, cultura popular, dança, literatura, música, teatro, festivais, entre outras categorias.

As inscrições podem ser feitas até 25/10 pelo site da Secretaria de Cultura do Estado da Bahia (Secult-BA). Podem participar pessoa física maior de dezoito anos, Microempreendedor Individual (MEI), pessoa jurídica com fins lucrativos, pessoa jurídica sem fins lucrativos e coletivo/grupo sem CNPJ representado por pessoa física.

Os editais reservam 50% das vagas para pessoas negras e 10%, para indígenas. O resultado final será publicado 26 dias após o fim das inscrições. Os agentes de cultura receberão os recursos até 31/12/23 e terão 12 meses para executar a proposta. O anúncio foi feito pelo governador Jerônimo Rodrigues, acompanhado do secretário estadual de Cultura, Bruno Monteiro, em evento realizado no Colégio Estadual de Tempo Integral São Daniel Comboni, na capital, na quarta-feira 27/09.

De acordo com o governador, "um dos objetivos deste recurso é fazer uma compensação pelo que foi perdido na pandemia, período em que o setor cultural padeceu muito e ficou impossibilitado de ganhar dinheiro. Queremos que todos acessem esses recursos dos editais, inclusive os que nunca acessaram". Antes do lançamento oficial do edital, grupos culturais locais realizaram apresentações de diversas linguagens artísticas.

A Lei

Nomeada em homenagem ao ator e humorista Paulo Gustavo, que morreu de Covid-19 em 2022, a Lei Paulo Gustavo (LPG) foi regulamentada em um ato com o presidente Lula e a ministra da Cultura Margareth Menezes, em maio de 2023. A Bahia foi o primeiro estado a aprovar o plano de ação junto ao Ministério da Cultura e fez consultas públicas e cursos de formação para criar os editais.

O Governo do Estado realizou 64 oficinas com representantes territoriais de cultura, alcançando 189 municípios e 4.495 agentes culturais. Está prevista também uma formação online com intérpretes de libras.


Com informações da Secretaria de Comunicação Social Governo da Bahia - Foto: Mateus Pereira/GOVBA

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Festival Caju de Leitores tem imersão na cultura indígena pataxó

Cultura 09 de setembro de 2023

A Oca Tururim, na Aldeia Xandó em Barra Velha, recebeu uma dezena de autores indígenas e um público atento para o 2º Festival Caju de Leitores, de 04 a 07/09. A programação diversificada propôs uma imersão na cultura indígena, em especial a pataxó. Teve rodas de conversas, contação de histórias, danças, grafismos e ilustrações e muita troca de conhecimentos.

De acordo com a curadora Joanna Savaglia, “a escolha da localidade e do tema - literatura indígena, para o Festival, se deu pelo fato da população local ser, em grande parte, oriunda da miscigenação com a etnia indígena Pataxó e está em processo de resgate e transmissão da sua cultura”. Sairi Pataxó é o anfitrião do evento e Trudruá Dorrico participa também da curadoria. O nativo e morador da Aldeia Xandó é autor do livro ‘Boitatá e Outros Casos de Índio’.

Joanna tem uma longa história de amor pelo vilarejo, iniciada em 1993. A produtora é conhecida no meio literário, por suas participações nas Feira Literária de Paraty, de 2011 a 2016.; e na Festa Literária das Periferias, desde sua primeira edição, há 12 anos. Joanna e Sairi criaram o Festival como forma de mostrar como a literatura pode ajudar na educação dos jovens.

Unidos a eles, está Trudruá Dorrico. Poeta, escritora, palestrante, curadora e pesquisadora de literatura indígena, Trudruá é doutora em Teoria da Literatura pela PUCRS, mestre em Estudos Literários e licenciada em Letras Português pela UNIR. A autora de “Eu Sou Macuxi e Outras Histórias” atua na difusão das culturas indígenas brasileiras.

A escritora Trudruá Dorrico é mestre em Estudos Literários e doutora em Teoria da Literatura

Memória registrada

Uma das rodas de conversa mais prestigiada foi a homenagem a Valdemy Sisnande, escritor de “A Saga de Caraíva” e “Memórias de Caraíva”. Participaram os moradores nativos seu Lomanto; e Edite e Edilza, filhas do primeiro telegrafista local. Valdemy falou sobre suas obras e sobre a concepção de ‘Memórias’, que teve o conteúdo todo ilustrado por ele. Entre a ideia e a publicação do livro se passaram 3 anos.

“A maior dificuldade para escrever o livro foram as pesquisas, que não se resumiram apenas aos relatos de moradores daqui, mas também a registros históricos adquiridos em documentos em Porto Seguro. O fato mais marcante inserido na publicação foi a Revolução da Piaçava. Meu avô me contava esta história. Era emocionante”, revelou Valdemy, que está na produção de seu próximo livro: um romance.

Outra participação importante, entre tantas, foi a Rede Oxe de Bibliotecas Comunitárias da Bahia. Os representantes falaram sobre a entidade que tem representante em Caraíva: Valéria Cardoso.

“Sou uma das pessoas que compõe a Associação da Biblioteca de Caraíva, sediando temporariamente a Escola Municipal da vila. Nossa função é fazer dos livros um movimento de ocupação. Com isso, e com a demanda de alunos da Aldeia Xandó, entendeu-se que era preciso ter literatura afro e indígena. A entrada da biblioteca para Rede Oxe nos trouxe mais livros e também a oportunidade de conhecer e participar dos editais”, contou.

O Festival realiza, como em 2022, uma ação conjunta com o Coletivo Caraíva Sem Assédio para a arrecadação de absorventes, durante os dias do evento, que serão destinados à Aldeia Barra Velha. A iniciativa tem como intuito combater a pobreza menstrual. O Caju de Leitores tem patrocínio do Instituto Cultural Vale e da MMB Metals, com incentivo da Lei Rouanet; e do Ministério da Cultura.


Com informações e fotos de Débora do Carmo - assessoria de imprensa

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