Semana Cultural da Lambada reúne DJs e lambadeiros em mais uma edição histórica

 

Ao todo mais de 3 mil pessoas acompanharam o evento que mostrou a Lambada em diversos pontos de Porto Seguro

Na noite do último domingo, dia 25 de outubro, foi realizado o encerramento da Semana Cultural da Lambada, que teve a participação de mais de 3 mil pessoas. Arraial d’Ajuda, Centro e Orla Norte de Porto Seguro foram o palco desse patrimônio cultural e imaterial de Porto Seguro, que levou muita dança, histórias e lembranças do ritmo que ganhou o mundo e trouxe notoriedade para o município.

A sexta-feira (23) e o sábado (24) foi brindada com muito sol e matinês que aconteceram na Cabana Barramares e no Complexo de Lazer Tôa Tôa. Um multidão pode conhecer e reviver a dança com os grandes lambadeiros precursores do ritmo e também participar de aulões. Já as noites ficaram a cargo do Baile no Shopping Central Park (23) e da Exposição Fotográfica recebida no Cempec e Praça ACM, onde o baile e aulão recepcionaram os participantes e moradores que também ensaiaram alguns passos, enquanto se divertiam com filhos e a família.

DOMINGO

Já o domingo (25), a Cabana Awery Beach, na Orla de Taperapuan, recepcionou os convivas à beira-mar, em um clima de descontração, alegria e muita dança. Na ocasião, participantes inscritos no evento receberam certificado de participação.

Segundo o Presidente da Associação de Lambada de Porto Seguro, Cleidson Reis, a Semana Cultural da Lambada 2027 já tem data definida: de 18 a 24 de outubro. “Aguardamos todos os lambadeiros do Brasil para mais este encontro no próximo ano. Quero aproveitar também para agradecer nossos apoiadores, patrocinadores, lambadeiros e público que esteve presente nos dias do evento e que nos abrilhantaram com a participação”, ressaltou.

DJS

Entre histórias, músicos e canções que marcaram a Lambada desde seus primórdios, uma persona é destaque em todas as festas de lambadeiros: o DJ. Nico, Ivam, Leo, Levi são alguns dos nomes que ciceronearam as pistas de dança da Semana Cultural da Lambada. Atuantes há muitos anos na cena musical do ritmo, os DJs contaram um pouco de sua história e de ssa participação atrás das pick-ups sonoras e do ritmo envolvente.

Único DJ brasileiro a ter a pista exclusiva na da casa mais famosa de Lambada do País - a Reggae Night – e possuir uma imensa discografia, DJ Ivan é nativo de Porto Seguro, mas já rodou o mundo tocando Lambada. Vivendo em São Paulo, mas ainda rodando o Brasil, Ivan se sente honrado em participar desse movimento.

“Participar da Semana da Cultura da Lambada representa a minha origem, porque eu saí de Porto Seguro. Eu sou um cara muito grato à Lambada. Com ela, fizemos história, eu estudei muito, me dediquei para que a Lambada fosse reconhecida como é hoje. Participei de congressos e estamos cada vez mais aprimorando. Nós somos a continuidade dos artistas que pararam de fazer músicas. Nós divulgamos nossas raízes”, declarou.

DJ Levi é da época dos encontros da Praça do Relógio em Porto  Seguro, da Praça dos Hippies, Raízes, Bróduei e da Lamb’Arte, em Arraial, da época em que a Lambada era patrimônio das Praças Públicas. “Via a Bokadabarra nascer e queimar, vi o primeiro concurso de Lambada. E vi, de repente o projeto Semana Cultural da Lambada florescer. Sou nativo e comecei em 86 como lambadeiro, dormia embaixo da arquibancada das casas de shows e ia trabalhar, no final da tarde,lá estava eu e meus amigos novamente para dar aulas para turistas. A Lambada é rica, nobre, muito preciosa. Em 2002, comecei como DJ por necessidade. A Lambada não existia mais em Porto Seguro. Alguns lambadeiros como Renato Dias ainda mantinham espaços no Verão para receber turistas. Quando ele voltou para o Rio de Janeiro, com o seu espaço fechado, a Lambada não acontecia. Mestre Didi dos Santos, ao voltar de Portugal, na carência de um espaço, arrumou um ‘cantinho’ – o Oásis Club Bar, onde me tornei DJ e daí não parei mais”, contou.

Já o DJ Leo é residente do Shopping Central Park, onde a Lambada ainda tem seus dias de glória. “Sou nativo de Porto Seguro e aos 12 anos, quando voltei de Vitória da Conquista, em 1989, comecei a mixar fitas cassetes. Foi nesse momento que começava a nascer o DJ em mim. Foi quando fui adquirindo conhecimento, musicalidade, trilha sonora, notas musicais. Foi um divisor de águas para eu chegar onde eu cheguei. Minha estreia como DJ aconteceu em 2000, no Maluco Beleza. Eu já conhecia a Bokadabarra, mas só ia apreciar. É maravilhoso estar nesse ambiente que convivi desde pequeno vivendo esse ritmo. Hoje me orgulho desse trabalho, das minhas produções musicais e de ver as pessoas dançarem, isso tem preço”, revelou.

O carioca DJ Nico, é cria de Renato Dias e começou a tocar Lambada no Rio de Janeiro profissionalmente e roda o Brasil levando esse patrimônio. “É muito gratificante participar da Semana Cultural da Lambada. Tocar em Porto Seguro para DJ de Lambada é um certificado, é um ápice. Aqui é o paraíso, as pessoas são muito acolhedoras. Tenho 10 anos como DJ e comecei com Renato Dias, que é o meu mestre de Lambada”, ressaltou.

A Semana Cultural da Lambada é uma realização da Associação Cultural de Lambada de Porto Seguro (ALPS), com patrocínio da Prefeitura de Porto Seguro por meio da Secretaria de Turismo e Superintendência de Cultura. A Semana da Lambada ainda conta com o apoio da TV Porto, Centro de Cultura de Porto Seguro, Central Park, Área Beach, Awery Beach, Restaurante Molinaretto, Restaurante Colher de Pau, Barraca do Gaúcho, Restaurante do Dedé, Pastelaria do Cabral, Arigato Pousada, N&M Ritmos e Guia Tour Destinos da Costa.

Box: Lambadeiros

“Comecei na Lambada há um mês e meio e já embarquei nessa aventura. Participar da Semana da Lambada foi perfeito, nunca vou me esquecer dessa viagem e de cada momento que eu vivi aqui. Eu não quero ir embora. Cada aula, cada aprendizado, dos passos, do sentimento da música, da dança, da conexão corporal com o parceiro. Isso foi moldando a Lambada pra mim. Poxa, eu estou dançando Lambada na praia. Foi incrível”

Amanda Benítez Macedo, Porto Alegre (RS)

A Semana Cultural da Lambada é um evento muito significativo. Ele é importante para manter a cultura e a aderência de pessoas novas para conhecerem a cultura da Lambada enraizada em Porto Seguro e difundida no mundo. Aqui a gente volta ás origens, junto com os mestres e encontra gente do mundo todo. A Lambada me trouxe uma mudança de vida muito significativa: eu era muito tímido e quando comecei a dançar isso mudou. A Lambada é energia, é sorriso de rosto suado, é dançar mesmo com o pé doendo. Agradeço muito por esse evento cultural maravilhoso e que ele se torne cada vez melhor”.

Djalma Hilário, Belo Horizonte (MG)

“A Semana da Lambada, em Porto Seguro é uma das coisas mais maravilhosas, sou lambadeiro velho e é uma dos momentos mais incríveis que vivo em Porto Seguro”.

Cícero Carvalho, São Paulo (SP)

“Foi muito bom, apesar de não sou muito de dançar, mas aqui aproveitei a Semana da Lambada para me divertir”.

Carmelita Coelho, São Paulo (SP)

“É muito gratificante por que a Lambada, esteve presente na minha vida desde sempre. Essa é a minha primeira participação na Semana Cultural da Lambado e é emocionante, ainda ser cerificada, melhor ainda”.

Victoria Melo, Porto Seguro (BA)

“É maravilhoso o evento. Eu que danço desde os meus oito anos de idade, apaixonada e viciada pela Lambada, já perdi as contas de quantas vezes estive em eventos de Lambada”.

Dalane Nogueira, São Paulo (SP)

“O evento é muito bom, muito bem organizado. Me diverti e dancei muito aqui”.

Gabriela Di Bernardi, argentina moradora de Porto Seguro

“Foi muito gratificante participar da Semana da Lambada. Estou muito feliz e grato pelo evento e pelas experiências que tive aqui”.

Cleiton de Oliveira, paulista morados de Porto Seguro

“A Semana da Lambada foi muito boa, relembrou minhas raízes. Minha mãe foi lambadeira desde nova e me trouxe lembranças do que vivi e dando continuidade nesse legado que já estou deixando também para minha filha”.

Agatha Oliveira, Porto Seguro (BA)

“Faço parte da Lambada de Porto Seguro, onde faço apresentações e a Semana da Lambada é uma oportunidade também de conhecer outras pessoas de fora e para receber esses lambadeiros e mostrar o nosso melhor, mostrar a nossa dança e do que vivemos: a dança”.

Genivaldo Alves, Porto Seguro (BA)