Há vários meses, os taxistas de Porto Seguro vêm se manifestando, das mais diversas formas, numa demonstração de revolta contra a falta de providências por parte do poder público em relação ao crescimento desenfreado do número de veículos que fazem o transporte de passageiros na cidade, sem autorização da prefeitura ou da Justiça. Os motoristas de taxis reclamam que, mesmo sendo uma atividade ilegal, nada tem sido feito para conter ou mesmo organizar a ação desse tipo de transporte, batizado de “clandestino”, “alternativo” ou “lotação”, como prefere tratar boa parte da população.
Na manhã de 18/10, cerca de 200 taxistas participaram de mais um protesto, denominado Operação Tartaruga, percorrendo as principais ruas da cidade e finalizando na Barraca Barramares, na Orla Norte. A manifestação acabou congestionando o centro da cidade e mesmo não provocando engarrafamento na Orla, reduziu drasticamente a velocidade do fluxo do trânsito na BR, formando filas enormes. “Não era a nossa intenção, queremos apenas que a população, assim como o Ministério Público e as autoridades municipais vejam o nosso protesto e apoiem a nossa causa”, disse o presidente do Sindicato dos Taxistas, Antonio Marcio dos Santos.
Segundo ele, com a queda no movimento, a maior parte dos taxistas não está conseguindo pagar as prestações de seus veículos. “Hoje todo mundo que tem um carro se sente no direito de fazer lotação, sem que nenhuma providência seja tomada para controlar a situação”, argumentou. O presidente disse ainda que a classe está se profissionalizando cada vez mais. Pagamos os nossos impostos, temos o direito concedido por lei para trabalhar, exercemos atividades operacionais para atender o transporte público com segurança. Então pedimos à população que, por favor, nos ajude, porque precisamos trabalhar para manter as nossas famílias”, implorou o presidente.
Panela de pressão
No mês de setembro, uma mobilização foi feita também na Câmara Municipal, onde os taxistas buscaram o apoio dos vereadores. Entre os edis, houve quem preferiu não se manifestar, outros defenderam o direito dos alternativos buscarem o sustento de suas famílias e também teve aqueles que se posicionaram claramente a favor dos motoristas legalizados. Como o líder do governo na Câmara, Evaí Fonseca. “Não existe transporte alternativo. É um transporte clandestino, pois existe uma lei e essa lei precisa ser cumprida”.
O vereador Paulinho Tôa Tôa também se colocou de forma contrária ao crescimento desordenado do transporte não legalizado. “Hoje já temos mais de 1000 veículos clandestinos trabalhando nas ruas. Porto Seguro está virando uma panela de pressão”, alertou. Por outro lado, ao defender a necessidade das chamadas lotações, usuários reclamam das deficiências do transporte coletivo, como a falta de disponibilidade de ônibus em determinados horários e locais, despreparo dos motoristas, altos preços das passagens e a falta de abrigos nos pontos, com os usuários expostos às intempéries.
São condições que inegavelmente favorecem a ação dos clandestinos, na maioria das vezes mais disponíveis, rápidos e acessíveis. Mesmo que nem sempre seguros.