
A morte do ciclista Ricardo Pagliarini Francisco, de 57 anos, atropelado por um veículo dos Correios, em um trecho da BA 001 - que liga o Arraial d´Ajuda a Trancoso e Vale Verde; reacendeu a discussão sobre o perigo e o risco de vida naquela estrada, construída sem acostamento e sem a segurança necessária para motoristas, pedestres e ciclistas.
O acidente ocorreu no dia 23/04, quando Ricardo, pessoa muito querida no Arraial, foi lançado há cerca de 20 metros do local onde pedalava, próximo a Vale Verde, morrendo no local. O acidente deixou a comunidade em choque. O motorista do veículo prestou assistência à vítima e acionou o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), no entanto, quando a equipe chegou, o ciclista já estava sem vida.

A morte de Ricardo, que participou de todas as edições do Brasil Ride, trouxe mais combustível para uma luta que se iniciou no final da década de 90, com a abertura, pelo Governo da Bahia, da BA001, como parte das obras do Prodetur.
O programa, que incluiu a construção do hospital Luís Eduardo Eduardo Magalhães e a rede de saneamento básico no centro de Porto Seguro, tinha como objetivo preparar a cidade para as comemorações dos 500 anos da chegada dos portugueses no Brasil, no ano 2000.
Comunidade já alertava
Não foi por falta de mobilização das lideranças locais, especialmente do Arraial, que muitas mortes ocorreram naquela estrada. “Tenho documentos sobre nossa luta pela ciclovia naquela área, em 1999. Se tivessem dado atenção, muitas mortes poderiam ter sido evitadas. Pelas minhas contas, foram pelo menos 20, só nesse trecho entre Arraial e Vale Verde. Infelizmente fomos ignorados”, afirma o empresário Néo Oliveira, um dos líderes dessas manifestações, como presidente de entidades comunitárias do Arraial.
O trecho em questão tem cerca de 6 Km e vai do entroncamento de Vale Verde/Trancoso até o Arraial. Foram diversos documentos para a superintendência do Prodetur, Derba, Ministério Público da Bahia, o então prefeito Ubaldino Júnior e até o BID, reivindicando o alargamento do acostamento e a construção de ciclovias. Tudo resultado da ação de diversas entidades, incluindo o IPHAN, através de reuniões, protocolos de intenções; artigos e matérias no Jornal do Sol, onde Néo Oliveira e outras lideranças do Arraial mantinham uma coluna assinada.
Do luto à luta
“Nesse momento, é importante destacar a importância da ciclovia como equipamento de segurança para a população em geral. Principalmente naquele entorno da rodovia, que ficará ainda mais exposta após a construção da ponte sobre o rio Buranhém. Além de ser um elemento de integração entre duas localidades históricas e um importante equipamento turístico, proporcionando pedaladas, corridas e caminhadas, com trechos margeando o Buranhém e uma área indígena”, resume Néo Oliveira.
Segundo o empresário, o prefeito Jânio Natal respondeu a um questionamento sobre o assunto, afirmado que “toda a via municipal que está sendo construída, terá ciclovia. Nas rodovias estaduais dependemos do governo do Estado”. A comoção da comunidade já chegou ao Governador Jerônimo Rodrigues, que em visita ao interior do estado, foi abordado em uma caminhada pelas ruas: “governador, morreu um ciclista na estrada de Vale Verde. O que pode ser feito?”. Essa é a resposta que a comunidade cobra.
A celebração dos 27 anos de criação do Parque Nacional Pau Brasil, no final de semana, foi marcada pela homenagem aos ciclistas, especialmente a Ricardo Pagliarini. A comemoração marcou também o início da coleta de assinaturas para o movimento batizado de “Do luto à luta”.
De acordo com a empresária Fabiane Cunha, ciclista e membro da diretoria da Associação Todos Por Arraial, a comunidade está reivindicando medidas de segurança, como placas sinalização, redutores de velocidade, ampliação da rodovia e uma ciclovia entre Arraial e Vale Verde.
“Não são apenas ciclistas que utilizam aquela estrada para praticar o esporte, mas são trabalhadores que também passam por ali. Esse movimento surgiu com uma dor muito grande, a partir do senso de pertencimento, pois poderia ser qualquer um de nós. E o Ricardo partiu tão prematuramente, deixando essa dor”, lamenta Fabi.
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