Quando a justiça não é igual para todos

Nos momentos de crise, as dificuldades aparecem mais. Neste período de pandemia, se tornaram evidentes as diferenças de comportamento entre ricos e pobres, políticos e eleitores, brancos e pretos.

Diversidade de tratamento médico hospitalar

Quando um “rico” pega o vírus, pode contar com os melhores hospitais, médicos e curas, enquanto o “pobre”, às vezes, nem tampão, nem lugar, nem leito, nem respirador consegue. Milhares de pessoas morreram por causa disso. Vergonhoso o esbanjamento de médicos que apareciam para comunicar as condições de saúde de Trump, uma verdadeira turma, enquanto para a maioria, nem enfermeira tinha para comunicar a morte do paciente. Patético ouvir políticos, saindo das clinicas mais famosas dizendo “quanto eu sofri”, após dois ou três dias de internação, enquanto teve gente que ficou imobilizado e com tratamento precário durante meses, saindo para o cemitério.

Diversidade de salário

O espetáculo mais triste é ver as filas na frente dos bancos. A maioria das pessoas perdeu o emprego, não tem como se sustentar e é obrigada a ficar horas e, às vezes, dias na frente de uma agência bancária para receber a esmola de R$ 300,00. Foram descobertos vereadores e funcionários publicos, empregados e bem pagos, buscar indevidamente este dinheirinho, descaso absurdo, verdadeiro roubo mesquinho e covarde que envergonha a sociedade, sobretudo porque a pena consiste apenas em devolver aquela ninharia.

Diversidade de comportamento

Justamente por contar com atendimento médico apropriado, assistimos quase diariamente a políticos graúdos e até governantes, burlarem a lei: se apresentam sem máscara, promovem eventos com muitas pessoas sem as devidas precauções, propagandeiam remédios sem comprovada eficácia, espalham mentiras e inverdades sobre o numero dos infectados. A pouca vergonha chegou ao ponto de falsificar os dados sobre os incêndios, invasões de terras, catástrofes ambientais, chegando ao absurdo de culpar os índios pelos desastres que assolam o nosso País.

Que governantes são estes que burlam as leis, criam mentiras deslavadas, governam de forma parcial e desonestas sem que sejam punidos. Também, que “justiça” é essa que gasta meses e anos para achar e punir “culpados dos anos passados” e absolve ladrões e corruptos atuais. A gente ouve autoridades declararem que a “ajuda emergencial” (sic?) custa muito para o estado enquanto os salários estratosféricos, as mordomias e os privilégios deles, sequer são minimamente questionados.

E o voto? Os novos “servidores”, será que vão mudar?

Esta crise, esta pandemia, esta recessão, vieram para ficar... Até o povo não assumir o papel de dono da administração pública, vivenciando a verdadeira democracia (governo do povo); e parar de se considerar uma “aristocracia” (organização social e política em que o governo é monopolizado por uma classe privilegiada - Dicionário Aurélio). Só mudando esta classe de governantes, podemos esperar mudar a nossa sociedade. As eleições são para isto, ao perder a oportunidade, perdermos o direito de reclamar.


Publicado da edição 425 do Jornal do Sol - Antônio Tamarri é professor de História e Teologia

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