Estação Veracel completa 23 anos de proteção da Mata Atlântica

Em 5 de novembro de 1998 teve início a trajetória da Estação Veracel, a maior Reserva Particular de Patrimônio Natural (RPPN) de Mata Atlântica no Nordeste brasileiro e reconhecida como importante meio de conservação do bioma da Mata Atlântica no Sul da Bahia. Nessas mais de duas décadas, a reserva criada e mantida pela Veracel Celulose já recebeu mais de 37 mil visitantes. 

Além da conservação, a Estação realiza ações de educação ambiental envolvendo a comunidade do entorno, sensibilizando pelo contato com a natureza. É um local propício para estudos de flora e fauna e diversas parceria com universidades, centros de pesquisa e organizações não-governamentais acontecem ali. 

E não só isso! A Estação Veracel fornece diversos serviços ecossistêmicos, como a proteção de 115 nascentes que abastecem as comunidades da região, Conservação da biodiversidade da flora e fauna brasileira e preservação e monitoramento de indicadores de importância ambiental, como é o caso onça pintada, que teve seu primeiro avistamento em 2017, após 20 anos sem registros fotográficos da espécie na região. De acordo com dados de ocorrência da onça-pintada do CENAP – Centro Nacional de Grandes Mamíferos do ICMBio, antes deste registro a espécie era considerada extinta na Costa do Descobrimento. 

Outro marco na Estação Veracel foi a descoberta dos dois novos ninhos com filhotes de harpia em 2018, o que leva à contabilização de ao menos 5 indivíduos na região. Este ano, outra novidade, um dos ninhos está sendo ‘habitado’, um indicativo de que pode vir mais um exemplar de harpia nos próximos meses.

Unesco

Em uma área de 6.069 hectares, que se estendem pelos municípios de Porto Seguro e Santa Cruz Cabrália a RPPN é reconhecida pela Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura (Unesco) como Sítio do Patrimônio Mundial Natural. 

De acordo com a Coordenadora da Estratégia Ambiental Integrada da Veracel e responsável pela RPPN Estação Veracel, Virgínia Londe de Camargos, o local propicia o equilíbrio ecológico da região. “A floresta impacta nossa vida, sendo responsável pela qualidade e quantidade de água, equilíbrio do clima, das chuvas e na minimização dos efeitos das mudanças climáticas. Além disso, o equilíbrio ecológico traz melhorias diretas para comunidade, o bem-estar humano e atividades agrícolas e econômicas”, reforça. 

A coordenadora ressalta que no local, há espécies endêmicas como é o caso Crejoá, com sua pelagem azul e roxa e canto raro, esta ave que ocorre no sul da Bahia e norte do Espírito Santo pode ser avistado com mais frequência de abril a junho. Outra espécie importante é o papagaio-chauá que encontra-se ameaçado de extinção; além da harpia, uma das maiores aves de rapina do Mundo.

Ciência Cidadã

Virgínia também reforça que muitos dos os registros de avistamento das aves são feitos por pessoas que tem esse encantamento e sensibilização mas que não possuem formação específica na área.
“É o que chamamos de Ciência Cidadã. Ela é muito importante, pois são esses dados gerados por observadores que auxiliam os estudos como por exemplo de aves migratórias pois seus registros fazem com que os cientistas cruzem informações e possam entender mais sobre os hábitos dessas aves”, explica

Outras diversas espécies podem ser encontradas na RPPN. A onça-parda, antas, capivara, veados, preguiças, macacos-prego e diversos tipos de mico; cobras como a sucuri e lagartos como o teiú.

A Flora local também é latente. Um estudo observou em apenas 1 hectare da Estação Veracel, mais de 300 espécies arbóreas nativas. Exemplares de massaranduba, imbiruçu, pati, patioba podem ser encontradas na exuberante floresta. Destaque para dois exemplares de pequi-preto que estima-se terem entre 600 e 800 anos.

Segundo Virgínia, os planos para os próximos anos é que a Estação se torne um laboratório a céu aberto tanto no desenvolvimento eco educacional quanto nas descobertas de novas espécies e na relação comunidade – reserva ambiental.

“Na área educacional, ocorre na Estação o mestrado profissional da ESCAS – Escola Superior de Conservação Ambiental e Sustentabilidade em parceria com o IPÊ – Instituto de Pesquisas Ecológicas. Na pesquisa, atualmente ocorre o Projeto Harpia na Mata Atlântica, em parceria com a UFES. A reabertura – ainda sem data – para a visitação e a observação de aves, que contribui para o ecoturismo na região e já recebeu cerca de 2 mil observadores de aves”, finaliza.


(Fotos: Divulgação) 

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