Porto Seguro - Bahia - Brasil - Quinta-feira, 20 de novembro de 2008.
 
10/06/2005 - 14:00






Opinião
 
Local
 
Turismo
 
Memória
 
Quem Somos

PERFIL EM FOCO
Circo, orquestra, Búzios e turismo na vida de comprade Nilson

                 É na “matemática da vida” que os sentimentos quase sempre fazem jus a notável
e sábia equação do bem viver. A coluna Perfil em Foco segue em frente sinaliza
novos horizontes, e sai à caça de gente que é notícia. Dotado de um humor de fazer inveja a qualquer mortal, guerreiro, criativo, espiritualista e sensível por natureza, compadre Nilson rouba a cena, e revela uma personalidade por demais interessante. Enquanto isso, o Jornal do Sol cumpre a sublime tarefa de reconhecer, aplaudir e valorizar, o que carinhosamente poderíamos chamar: “gente da nossa gente”. É ler e conferir!
                
Educação e a disciplina militar

Enquanto o repórter fotográfico João Cordeiro se esbaldava degustando a deliciosa feijoada com tudo que tem direito, inclusive fatias de bananas empanadas e torresmo bem crocante, regada a cerveja bem gelada de frente para o mar, o melhor que se podia fazer era dar continuidade à entrevista.O cenário: o restaurante da Cabana João da Sunga, e na cena principal, o foco era Nilson Alves da Gama, 60, ou compadre Nilson, como preferir. Filho da pacata cidade de Ribeiro do Pombal, seus genitores, Ricardo Borges da Gama e Joana Alves dos Reis, foram pais inesquecíveis. “Sou parte de uma família de quatorze irmãos, criados em regime militar, a educação era severa e a disciplina muito rígida, quem não chegava na hora perdia o almoço, era lei seca. Meu pai era fiscal do Estado, e minha mãe tinha uma quitanda que fazia da cachaça ao conhaque”, lembra.

Os primeiros desafios

Perto de completar dezoito anos, adolescente, Nilson sai em busca dos primeiros desafios, começa trabalhando no famoso Circo Franklin. “Dormia em um ponto de apoio, não existia rodoviária, e com pouco estudo não tive outra opção, comecei limpando cadeira e dando recado. Fui promovido a palhaço, viajamos por muitas cidades até Pelotas, no Rio Grande do Sul e Norte, em Natal deixei o circo”, recorda. Depois da experiência circense retornou a Lagoinhas, organizou e fundou a Orquestra Los Tierros, onde comandou por quatro anos, até vender para o primo Pedrinho. “A orquestra foi uma experiência gratificante, viajamos por vários estados, o sucesso corria solto trocávamos de roupa até cinco vezes durante o espetáculo”, enfatiza.

O eterno amigo

Mas foi através de Teófilo, gerente do Baneb na época, que compadre Nilson conheceu João Carlos, de quem comprou uma Belina. “Com a Belina que comprei de compadre João, fui até Bariloche jogando búzios e lendo mãos. Depois da visita que fiz aos meus irmãos em Eunápolis, conheci Porto Seguro. Encantado com a cidade, voltei, arrumei as malas e me piquei pra aqui, de onde só saio para o cemitério”, garante. Em 1983, aos 40 anos casou-se com D. Elizete, com quem teve dois filhos Fernando, 22, que está se formando em Bioquímica e Joana, 18, funcionária do Praia Hotel, que no ano que vem começa a estudar Pediatria.

Turismo como nova opção

Depois de comandar o próprio comércio de materiais de construção, o ariano do dia 23 de abril descobriu o veio do turismo. Desde 1978, faz excursões para todo o Brasil, em agosto próximo segue para Bom Jesus da Lapa, cujas reservas já podem ser feitas. Antes que se esqueça, vale registrar que o bom e “velho Nilson” foi precoce na carreira política, como vereador. “Em 1988, sem subir no palanque e nem pegar no microfone fui o vereador mais votado, mas foi uma experiência que não valeu a pena”, lembra.

Geografia da vida

O jornalismo volta e meia proporciona momentos de rara riqueza, percorrendo e driblando os atalhos da vida. Concluímos que a experiência, com certeza, fala mais alto. A verdadeira amizade é o néctar do amor sincero, e os sentimentos obedecem à “geografia da vida”, seja de Norte a Sul, Leste a Oeste, cada coração comanda a bússola de nossas melhores intenções. Parabéns para quem tem ou procura o grande ou um verdadeiro amigo. (P.R.)

Ping Pong

Apresentadora de TV: Hebe Camargo (é de uma falsidade que dá dó)
Comediante: Tom Cavalcante (trouxe o humor do Ceará)
Ator: Lima Duarte (como Sinhozinho Malta) e Paulo Gracindo (não deveria ter morrido)
Atriz: Regina Duarte (arrasou como viúva Porcina)
Cantor: Luiz Gonzaga (brilhou em todos os shows)
Cantora: Clara Nunes e Clementina de Jesus
Programa de TV: Show do Tom
Gastronomia: Cabana João da Sunga (bebo, como, e não pago nada, e ainda me levam em casa)
Bebida predileta: E pobre tem bebida predileta ... (a cerveja gelada da barraca de compadre João)
Manjar dos deuses: O que eu mesmo faço (sou metido a cozinheiro)
Livro de cabeceira: Rezo todas as noites
Hobby: Pijama e bermuda, é brincadeira! Cozinhar, viajar e “levantar copo”
Carro: Não tenho ambição (quem gosta de carro é cigano)
Animal de estimação: Uma porqueira, Iago e Igor (nunca vi tão pertubado!)
Religião: Católica (mas não sou comedor de hóstia)
Qualidade de berço: Viver dentro de casa, com minha esposa
Pior defeito: Quem não tem defeito?
Cor do arco-íris: Gosto de cores chegantes
Maior virtude: Personalidade e dignidade (olho para mim e digo: eu sou mais eu!)
Melhor amigo: João Carlos e todos meus compadres
Melhor amiga: Minha esposa (até o dia que ela quiser)
Mania que faz parte: Com quatorze irmãos que mania se pode ter!Roda de amigos: No bar, Zé de Olaia. Na Tarifa, compadre Lízio, João Bertolúcio e Fernando Vieira
Time: Vasco (porque em casa todos são flamenguistas)
Viagem inesquecível: Sul do Brasil (primeira viagem em excursão com companheiros de Porto Seguro)
Point da cidade: Orla Norte e Orla Sul
Point do nativo: A Quitanda de D.Inácia (tomando “pra tudo”) Alô Joilma! Meu axé pelo casamento!
Ditado popular: “O que é bom já nasce feito”
Sonho de consumo: Se fosse rico fazia uma cozinha daqui até o Praia Hotel (adoro cozinhar)
Político que admira: Pelo amor de Deus, bote nenhum!
Homem inteligente: Juscelino Kubitschek (trouxe progresso para o país)
Mulher nótável: Minha mãe, que me botou no mundo
Personalidade: Getúlio Vargas (antes da ditadura)
Ìdolo: Meu pai (nunca triscou para me bater)
Música que emociona: Das mães (de Agnaldo Timóteo)
Uma homenagem: Em primeiro lugar minha mãe e meu pai e a João que é meu amigo
Quem levaria para uma ilha deserta: Minha velha com todos os anos de casado
Quem deixaria na ilha: Quase o Brasil todo! (risos)
Compadre João: É um amigo espetacular. Ele não calcula o quanto sou amigo dele!
Comadre Linda: Essa não existe! Só segurar compadre João já é uma grande coisa (risos)
Nilson por compadre Nilson: São iguais, a mesma pessoa. Amigo, bom e honesto.