Porto Seguro - Bahia - Brasil - Quinta-feira, 28 de agosto de 2008.
 

25/06/2008

 
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Corais-cérebro desaparecem

10% da população de corais-cérebro do banco dos Abrolhos, no município de Caravelas, a 822 quilômetros de Salvador, desapareceram nos últimos três anos. A descoberta foi feita por um grupo de pesquisadores da ONG Conservação Internacional (CIA Brasil) e da Universidade Federal da Bahia (Ufba), que há oito anos, num trabalho inédito, monitoram os corais da região.

De acordo com o biólogo Ronaldo Francini Filho, os coraiscérebro, endêmicos da região (encontrados só na região), estão sendo atingidos por uma doença, conhecida como pragabranca, que os deixa esbranquiçados.
Se prevalecer o crescimento da doença, como foi constatado, 60% da colônia de corais poderá morrer até 2010, avalia o pesquisador.

As causas da doença ainda estão sendo analisadas, mas o pesquisador acredita que o aquecimento das águas e o aumento de nutrientes, devido à poluição, sejam os principais. "Ainda não existe uma relação nítida de causa e efeito, mas o aquecimento gradual das águas faz com que as doenças se proliferem mais rápido", avalia o pesquisador.
De acordo com Francini Filho, o próximo passo da pesquisa será provar que a praga-branca é uma doença, através de experimentos de laboratório.

No mundo, existem cerca de 650 espécies conhecidas de corais de águas rasas, no Brasil, são encontradas apenas 15 espécies, entre elas o coral-cérebro, que é endêmico da Bahia. Os recifes de corais são importantes não só pela proteção da costa, destaca o pesquisador, mas também para manter o equilíbrio marinho e como áreas de grandes concentrações de peixes.

Para Francini Filho, o aumento da proteção ao Parque Nacional Marinho dos Abrolhos é um ponto importante para conter o avanço da doença. "Em relação ao aquecimento das águas, tem que ter uma ação global, mas o aumento da zona de amortecimento do parque seria importante", acredita Francini Filho.

CAMARÕES – O pesquisador destaca que a autorização para instalação de um projeto de carcinicultura (criação de camarões em cativeiro), que poderá ser implantado na região de manguezais e Caravelas, iria agravar o problema de poluição na região.

O Parque Nacional Marinho dos Abrolhos é um arquipélago formado por cinco ilhas. Segundo uma pesquisa publicada em 2006, os níveis de endemismo (espécies encontradas somente ali) na região podem ser quatro vezes maiores que no Caribe.

De acordo com a pesquisa, foram registrados 1.300 espécies, divididas em seis grupos pesquisados.

Pelo menos 17 moluscos e um peixe, completamente novos para a ciência, foram achados no local.

Além disso, 15 algas, dois corais, 86 poliquetos, 23 crustáceos e aproximadamente 100 espécies de peixes foram registrados pela primeira vez em Abrolhos, segundo pesquisa produzida pela CIA Brasil, Ufba e outras instituições de ensino e pesquisa, em fevereiro de 2000.

Fonte: Maria Eduarda Toralles