Bailux propõe uso inteligente da tecnologia

Sempre incansável na busca de novos conhecimentos e novas formas de exercitar a criatividade, o artista plástico A.B. Régis, do Arraial d´Ajuda, de tanto remexer, encontrou uma maneira de dar asas à imaginação, desmistificando a tecnologia e deixando a criatividade se manifestar livremente através da ação prática. “Foi um encontro feliz que nasceu na internet, onde fui encaminhado para esse grupo de metareciclagem, que propõe o uso crítico da tecnologia”, conta Régis, premiado em diversos salões de artes plásticas.
Em resumo, o grupo aproveita peças de computadores descartadas pela comunidade e monta novas máquinas que são reutilizadas com a filosofia do software livre, sem proprietários. “É mais livre que o Linux, pois você não precisa comprar os programas de alguém para ter acesso a incontáveis recursos disponibilizados pela informática”, explica. Pode parecer missão impossível? Poderia, não fosse a interligação de uma gigantesca rede, formada por internautas de todo o planeta. “Os programas, capazes de fazer tudo o que o Windows faz, são produzidos em todo o mundo por pessoas altamente capacitadas e disponibilizados gratuitamente para quem desejar fazer uso deles”, enfatiza.
A proposta, ganhou espaço no Arraial d´Ajuda e já conta com o apoio e simpatia da comunidade. “Desde que mantive contato, encontrei um lugar onde você junta tecnologia, ética e filosofia. Aí decidi replicar essa idéia, que não tem hierarquia, é horizontal”, defende Régis. O nome Bailux foi proposto por um amigo do artista, que passou a noite em claro para anunciar na manhã seguinte a combinação simples e perfeita: Bahia com Linux. Estava criada a comunidade de metareciclagem do Arraial D´Ajuda, no Sul da Bahia.
Do mundo virtual para o real
Desde 2004, Régis vinha buscando informação e motivação na comunidade virtual. O primeiro contato no mundo real surgiu através do professor Léo Thompson, doando a primeira máquina, que hoje é um símbolo. Coisas da face cosmopolita do Arraial, surgiu um francês que colocou o Linux para rodar na máquina e depois o alemão Jurgen, formado em engenharia da computação nos Estados Unidos e que atualmente doa três horas por semana para ensinar um grupo de jovens a montar, instalar e programar as máquinas para funcionarem.
Flávio, Paulo e Rafael mergulharam de cabeça no projeto, que começou na casa do artista e hoje já tem sede própria numa área cedida pela Sociedade Amigos do Arraial, no Parque Central. “A comunidade está angustiada com o lixo eletrônico, todo mundo tem um monitor queimado, uma impressora ou um DVD que não funciona. Mas o que nos interessa não é o lixo eletrônico e sim todo o material de hardware – gabinete, processador, memória, placa mãe etc – mas que esteja funcionando”, pondera.
“As pessoas querem ficar só no Orkut e MSN, mas você pode aprender a dividir o conhecimento com outras pessoas. A gente passou a usar a internet, esse meio tão poderoso de comunicação, para o bem.”, filosofa o jovem Paulo. Segundo ele, através da rede mundial de computadores é possível conseguir apostilas e as informações necessárias para atingir seu objetivo. Pela internet também ele conseguiu passagem aérea e hospedagem gratuita para participar de um grupo de metareciclagem. Voltou ainda mais motivado, claro!
A.B. Régis reconhece que a proposta exige dedicação, porque contraria as formas tradicionais de comunicação, “onde tudo é pronto, auto-explicativo”. Para avançar na proposta, sgundo ele, não falta suporte. “Estamos muito bem assessorados por profissionais do mundo inteiro, da elite da comunicação”, resume.
Ainda existe espaço para jovens, de 14 a 21 anos, “com fome de aprender, pesquisar, buscar”, como define Regis. A proposta vai na contramão da indústria, que segundo ele, “não trabalha para formar pensadores, mas para criar novos consumidores. Queremos consumidores críticos”, enfatiza. Mais informações sobre a proposta através do site www.bailux.wordpress.com
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