Porto Seguro - Bahia - Brasil - Quarta-feira, 7 de janeiro de 2009.
 

31/10/2007





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Gilvan é o candidato do PT à Prefeitura
de Porto Seguro

Com a diferença de apenas um voto, 85 a 84, o vereador Gilvan Florêncio venceu as prévias do Partido dos Trabalhadores em Porto Seguro para a escolha do candidato do partido para a disputa da Prefeitura em 2008. Na consulta do primeiro turno, Gilvan teve 75 votos, Ilma Ramos 64 e Jobílio 23. “Foi uma luta de todos os companheiros, não só da militância, mas também das lideranças estaduais, que fortaleceram muito a nossa candidatura na região”, declarou o candidato.

Gilvan afirma que já esperava por um resultado apertado. “Duas forças se uniram contra uma”, argumenta, referindo-se a uma aliança entre Ilma e Jobílio no segundo turno. Quanto ao apoio do grupo deles para sua candidatura, Gilvan avalia que não cabe a ele dar essa resposta. “Democraticamente, se eles entenderem o resultado como um processo legítimo e democrático, estaremos avançando. Não cabe a mim agora saber se eles irão me apoiar. Nós iremos procurá-los”, adianta.

O candidato do PT se diz consciente da responsabilidade que está assumindo. “Eu tenho que responder não só àqueles que votaram em mim, mas a todas as forças do PT. Temos que acatar o resultado e a partir daí partir para essa nova etapa”, sugere. Sobre a possibilidade de futuras alianças com vistas à prefeitura, Gilvan é taxativo: “minha candidatura não é pessoal, é do partido e isso vai ser debatido dentro do PT”.

Como plataforma de campanha, Gilvan adianta que em primeiro lugar está o foco numa administração eficiente, transparente e participativa. “Sempre lutamos pela transparência na aplicação dos recursos e pela participação popular nas decisões. Sem isso realmente fica difícil administrar”, assinala.

Valter Pomar faz campanha em Porto Seguro e apóia Gilvan

Valter Pomar, candidato à presidência nacional do Partido dos Trabalhadores, esteve em Porto Seguro no início de outubro. Atual secretário de Relações Internacionas do PT, Pomar participou de ato público na Câmara Municipal, onde defendeu sua candidatura e as propostas de sua chapa para o Diretório Nacional. Pomar acredita em 2º turno nas eleições diretas do partido, dia 02 de dezembro.

Pomar começou sua militância política no final dos anos 70 no movimento estudantil e entrou no PT em 1985. Foi membro da direção municipal em Campinas/SP - cidade onde mora até hoje - e participou da direção estadual de 1990 a 95. Como Secretário de Comunicação do PT paulista, editou a revista Teoria e Debate e o boletim Linha Direta. Desde 1997 participa da direção nacional do PT. Em 2005 disputou a presidência nacional do partido e ficou em 3º lugar

Valter Pomar veio acompanhado do presidente do Diretório Estadual Marcelino Galo - candidato à reeleição - e foi recebido pelo vereador Gilvan Florêncio e por militantes do partido.

Como está a expectativa de vocês para as eleições de dezembro?

Desde 2001 o PT elege seu presidente em eleição direta entre os filiados. Com certeza, da mesma forma que aconteceu em 2005 e 2007, nenhuma das chapas vai conseguir maioria absoluta, o que significa que a gente vai ter um diretório nacional em que nenhum grupo sozinho vai poder decidir o que vai ser feito do partido. E isso é muito bom. A experiência que a gente teve de 2001 até 2005 foi um desastre porque havia um grupo que sozinho tinha mais de 50% da direção partidária. Então ele se dispensava da tarefa de consultar as instâncias do partido em decisões fundamentais para o PT. E tomou decisões desastrosas. Então haverá o segundo turno no dia 16 de dezembro e a nossa expectativa nossa é de a gente eleja um presidente que não tenha origem no que era o antigo Campo Majoritário (NR - corrente da qual faziam parte José Dirceu, Delúbio Soares, José Genuíno e o próprio Lula). Existem seis candidaturas e delas cinco não fizeram parte no passado recente do antigo Campo Majoritário.

Como o PT pode se recuperar dessa crise?

O PT foi fundado em 1980 e ele tinha um objetivo importante que era a conquista da Presidência da República. Para muitos de nós do PT, esse objetivo era um meio, para outros era um fim. Para nós era um instrumento, um passo necessário num processo mais profundo de transformação da realidade brasileira. Para outros era um fim e o grande objetivo era conquistar a Presidência. Isso criou uma situação que fez com que em nome de atingir esse fim, vários meios foram utilizados que se revelaram danosos para o PT e para o objetivo de transformação da realidade. Um desses meios foi a aliança com setores políticos tradicionais conservadores, que pode parecer um grande negócio quando se está disputando a eleição, mas depois que você vira governo isso se transforma em um grande problema. Porque aqueles acordos que te fizeram ganhar te impedem de governar e fazer as transformações que você queria fazer. Outro mecanismo que foi utilizado com o objetivo de ganhar a qualquer custo foi o uso indiscriminado de financiamento privado nas campanhas eleitorais. Isso faz parte da legislação brasileira, mas o PT sempre tomou cuidados em relação a isso. Nos últimos anos passou a tomar menos cuidado e foi por essa porta que entrou esse famoso caso Marcos Valério e todo o episódio que gerou um dano muito grande para o PT. Fazer aliança não é errado, a questão é com quem e pra quê. Ninguém me convence que seja necessário ter o PP (Partido Progressista) no governo, por exemplo, ex PDS, partido do Paulo Maluf, com um ministério tão importante quanto o Ministério das Cidades. Ninguém me convence que o PTB, Partido Trabalhista Brasileiro, tenha contribuído tanto para a vitória de Lula. Que ele deva ocupar o Ministério da Articulação Política com esse cidadão Walfrido dos Mares Guia publicamente identificado novamente com o Marcos Valério, que foi o início, com o PSDB de Minas, desse esquema. Penso que a solução passa pelo financiamento público das campanhas eleitorais para que os políticos não sejam prisioneiros dos empresários - que essa é a fonte da corrupção. E também por uma mudança na política de alianças do PT, com uma aliança maior com os movimentos sociais e com os partidos de esquerda e menos com os partidos conservadores.

O que você propõe como candidato a presidente do PT?

 Nós estamos disputando a direção nacional do PT, sou candidato à presidência nacional e faço parte da chapa “A Esperança é Vermelha”. Nós temos um conjunto de ações. Primeiro, queremos que a futura direção do PT conquiste uma grande vitória nas eleições municipais de 2008. Segundo, que nós reatemos relações com os movimentos sociais. Terceiro, que a gente recomponha o chamado campo democrático popular com os partidos de esquerda e os movimentos sociais. Quarto, nós achamos que o PT tem que ter uma atitude muito firme de disputar os rumos do governo Lula, governo que nós elegemos, mas no qual o PT tem pouca influência. Isso vale também para os governos estaduais conquistados pelo PT. Em quinto, a gente acha que a próxima direção tem que investir pesado na comunicação e na formação política. Já há decisões do congresso do partido nesse sentido, mas precisa ter vontade política e priorizar. Nós achamos que são essas medidas que preparam o terreno para que o PT possa ter candidatura própria às eleições de 2010.